Reflexões

Quem não decide, não progride

Se há uma característica comum no fracasso, é a incapacidade de tomar decisões assertivas e de forma ágil. Empresas que não decidem são condenadas a ter times que procrastinam. Pessoas que não decidem, raramente aproveitam oportunidades.
Elemar Júnior
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25/08/2022

Não sei se é correlação ou causalidade, mas, quase todas as pessoas e empresas com problemas que conheço têm, como característica comum, lentidão para decidir e dificuldade para manter suas decisões. Por outro lado, quase todos os cases de sucesso que conheço envolvem pessoas que decidem rápido e mantêm, se não o curso, o “destino final”.

O cenário, quando encontro dificuldades, dentro e fora das empresas, quase sempre, é o mesmo: problemas evidentes por resolver, alternativas claras por adotar e uma letargia quase inexplicável para fazer o que precisa ser feito. Resultado? o que era óbvio se converte em “excesso de futuro”, que se transforma em ansiedade que, por sua vez, traz consigo sua prima-irmã, a procrastinação.

Quando não há decisão, o importante de ontem se converte no urgente de hoje; a oportunidade desperdiçada de hoje se converte na escassez de amanhã. 

Empresas que não decidem são condenadas a ter times que procrastinam. Daí, a saída mais comum costuma ser culpar o ambiente, governo, concorrentes. Enfim, o inferno sempre costuma ser os outros.

É natural e, de certa forma, esperado que, frente a desafios complexos ou com custos maiores – não necessariamente financeiros – se invista mais tempo para a reflexão. Entretanto, não há motivos para confundir prudência com descaso ou, pior, covardia.

Paralisia por análise é algo horrível. É comum que ela ocorra com pessoas que já tiveram desempenho “fora da curva” em algum momento, no passado, e que, depois, por medo, muitas vezes inconsciente, de “arranhar a imagem”, tem receio de avançar, senão pela opção perfeita. Infelizmente, nostalgia nunca se converte em dinheiro novo!

O que tenho visto é que, na prática, raramente decisões individuais têm impacto duradouro ou irreversível, por isso, o custo elevado em não decidir faz tão pouco sentido. Por outro lado, a “não-decisão” atrofia e paralisia até mesmo as boas intenções.

Em um mundo VUCA, as oportunidades surgem e desaparecem em ritmo cada vez mais acelerado. De todos os custos da gestão – empresarial ou individual – o mais alto é, sempre, o custo da oportunidade. Ou seja, “o que se está deixando de fazer para …. fazer o que está sendo feito”. O trágico é que, muitas vezes, coisas importantes deixam de ser feitas para que se faça nada. Enquanto isso, o tempo passa!

Passos consistentes e rotineiros na direção certa, sem riscos desnecessários, mas, também, aceitando, sem hesitar, aqueles sejam necessários. Essa parece ser a atitude de quem quer e tem sucesso.

Me parece evidente que, dentre todas as competências deve ganhar destaque tomar decisões. Empresas e pessoas com processos decisórios assertivos, mas, antes de tudo, ágeis são aquelas com maiores possibilidades de adaptação, logo, de sobrevivência e crescimento. Dentre todos os processos, o decisório é um dos mais importantes, senão o mais importante. 

Empresas sem matrizes claras de responsabilidades – implícitas ou explícitas – geralmente são conduzidas por irresponsáveis – conscientes ou inconscientes.

Matriz de responsabilidades definida e processo decisório claro é antídoto, as vezes com gosto amargo, para a doce mediocridade.

Quer outra correlação interessante? Quem decide pouco, geralmente, também, não executa o pouco que decide. Mas, incapacidade de executar é tema para outra reflexão.

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Dickson
Dickson
1 ano atrás

Meu caro Elemar,

Essa parte parece estar com uma palavra faltante:

O que tenho visto é que, na prática, raramente decisões individuais têm impacto duradouro ou irreversível, por isso, o custo elevado não decidir faz tão pouco sentido.

Talvez falte um “em” entre elevado e não

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[…] Decidir de maneira assertiva e ágil é importante, mas não é suficiente para o progresso. Para gerar resultados, é necessário preparação e, então, execução. Sem isso, nenhuma ideia, por melhor que seja, vale coisa alguma. […]

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[…] saber vender, decidir rápido ou executar assertivamente servirá para bem pouco. Não há sentido em ser eficiente e eficaz , […]

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