Reflexões

Sem preparação rápida e execução assertiva, resultados não acontecem

Muitas empresas e pessoas em dificuldades até "decidem bem", mas são incapazes de se preparar para executar. Resultado? Acúmulo de iniciativas sem "acabativas" e "dinheiro bom" jogado fora.
Elemar Júnior
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31/08/2022

Você conseguiria correr 45 km, uma maratona, agora, apenas por decidir que precisa fazer isso? A menos que esteja preparado, eu acho pouco provável que tenha sucesso.

Decidir de maneira assertiva e ágil é importante, mas não é suficiente para o progresso. Para gerar resultados, é necessário preparação e, então, execução. Sem isso, nenhuma ideia, por melhor que seja, vale coisa alguma.

Em um mundo VUCA, “saem na frente” as pessoas e as empresas que conseguem executar melhor. Execução boa demanda preparação adequada, nos menores prazos possíveis.

Muitas das empresas que ajudo em minhas consultorias, até têm “cabeças que decidem”, mas têm “corpos que não executam”. Sem intervenções, essas empresas apenas seguem o “fluxo natural” e, então, os dias passam, as semanas passam, os anos passam, e os resultados não aparecem.

Há, reconheço, uma “choradeira” entre empresários e gestores quanto a dificuldade de fazer “as coisas” acontecerem em suas empresas. Eles ignoram, entretanto que a “culpa”, geralmente é deles, por “incompetência” ou displicência para criação de condições favoráveis para a execução assertiva. 
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Considerações?x

Em empresas pequenas, tentando crescer, por exemplo, são comuns investimentos em ações elaboradas de planejamento estratégico, comuns em organizações maiores. Define-se missão e visão, explicita-se pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. Chega-se, até, a se definir algumas “ações estratégicas”. Infelizmente, entretanto, o que mais observo é um misto de frustração e “dinheiro caro” desperdiçado. Motivo? Ignora-se o fato de que  embora planejar seja fundamental, sem a capability de execução madura, fica difícil realizar qualquer estratégia.

Empresas maiores, por outro lado, até que executam bem o “feijão com arroz” que estão preparadas para fazer. Para isso, elas desenvolveram, ao longo do tempo, “burocracia necessária” e , também, “complexidades predatórias” que são verdadeiros entraves para a execução do diferente. Essas organizações costumam estar “azeitadas” para fazer, relativamente bem, o que já fazem e acabam se tornando lentas para fazer o que precisaria ser feito para o crescimento. Mudanças em organizações maiores são mais complexas e demandam mais cuidado no preparo, entretanto, quase sempre tais iniciativas falham antes disso, por incapacidade da liderança em produzir alinhamento de propósito.

Importante destacar que pessoas, tampouco, conseguem progredir na carreira ou em qualquer outro aspecto de suas vidas, sem desenvolver alguma competência para executar aquilo que decidem. Decidir ir a academia, por exemplo, pagando anuidades, resulta em nada sem a disciplina de fazer exercícios (sei bem disso). Comprar livros, também, tem pouco impacto para leitores que não lêem (também sei bem disso, ando comprando muito mais livros do que consigo ler).

O fato é que preparar para execução e, então, executar do jeito certo não é fácil. É importante, por isso, reconhecer explicitamente que a ausência de “disciplina para execução” é a razão principal para que, em nossa cultura, “iniciativas” sejam tão comuns e “acabativas” sejam tão raras.

Veja que, no parágrafo anterior, destaco a palavra “disciplina”. Faço isso porque entendo que executar bem depende de método bom. Aliás, mais que isso, acredito que o fundamento para a execução seja a combinação de método e o estabelecimento adequado de metas.

Aceite: motivação, quando o tema é execução e resultados, com frequência é supervalorizada. De pouco adianta ímpeto – vontade honesta de querer fazer acontecer – sem estrutura preparada. Em uma empresa, de qualquer tamanho, isso significa pessoas dedicadas, processos ajustados e recursos apropriados. Para pessoas, implica em dedicação de tempo, ajuste de prioridades e alguns investimentos.

O papel fundamental da gestor – seja nas empresas ou em vidas – é, primeiro, definir e preparar a estrutura para executar bem. Depois, garantir que todos estejam alinhados com tal estrutura. Finalmente, garantir que ela estrutura, uma vez estabelecida, seja respeitada. O papel da boa liderança – na empresa ou “na vida” – é desbravar o caminho quando as necessidades certas dependem de demandas incertas, apoiando a gestão na “construção de da estrada” que transforma o diferente em rotina.

Tenho certeza, com decisões ágeis e assertivas, suportadas por execução eficaz, há o “perigo do sucesso”. Sem elas, há apenas a “certeza do fracasso”.

Empresas e pessoas que já decidem bem, precisam se tornar excelentes na preparação para executar o diferente, cada vez em menos tempo, conduzindo “iniciativas”, mas com obsessão em “acabativas”

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[…] saber vender, decidir rápido ou executar assertivamente servirá para bem pouco. Não há sentido em ser eficiente e eficaz , fazendo a coisa certa do […]

Marcus Costa Braga
Marcus Costa Braga
1 ano atrás

Fala mestre! Nesta frase: “Muitas empresas e pessoas em dificuldades até “decidem bem””, o em não seria teem?
Muito bom o texto

Marcus Costa Braga
Marcus Costa Braga
1 ano atrás
Há, reconheço, uma "choradeira" entre empresários e gestores quanto a dificuldade de fazer "as coisas" acontecerem em suas empresas. Eles…" Read more »

Concordo, quem dá a “cara” da empresa são as pessoas que tomam decisões, gerente cargos de liderança ou chefia. Frequentemente aquela máxima “a culpa é minha eu jogo ela em quem eu quiser” é usada. É muito difícil ser agente da mudança, quando ela vem de baixo para cima na hierarquia da empresa. Porque quando percebem que uma mudança boa está por vir, que não veio dessa pessoa (chefe), costumam erguer muros indisponíveis e quando a mudança é inevitável costumam se apropriar, como se a ideia ou ordem tivesse partido dessa pessoa.
Portanto entendo que o papel de um liberar é ser um facilitador. Por tanto, deve fornecer ou facilitar o que é necessário para que uma ideia saia do campo da imaginação e se tornar realidade.
Verdadeiros líderes estão ao lado não acima de seus liderados.

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